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Artigo
Segunda-Feira, 17 de Julho de 2017 às

Craques da matemática competem no Rio

Inédita no Brasil, Olimpíada
Internacional da disciplina
começa hoje, com jovens de mais
de 100 países
 Sediada pela primeira vez no
Brasil, começa hoje no Rio a
Olimpíada Internacional de
Matemática (IMO, como é mais
conhecida, na sigla em inglês), a mais
antiga e prestigiada competição
científica no nível do ensino médio.
Seis brasileiros estarão entre os 623
participantes de 112 países, vindos
dos cinco continentes. Até o dia 23,
eles transformarão o Brasil no polo
mundial da matemática.
Cada equipe tem no máximo seis
participantes, e o time nacional foi
selecionado pelo Instituto de
Matemática Pura e Aplicada (Impa)
e pela Sociedade Brasileira de
Matemática (SBM). São
medalhistas de competições
nacionais e internacionais da área:
André Yuji Hisatsuga, de 17 anos;
Pedro Henrique Sacramento de
Oliveira, de 18; Bruno Brasil
Meinhart, 16; George Lucas Alencar,
18; João César Campos Vargas, 19;
e Davi Cavalcanti Sena, de 17 anos.
Os dois primeiros vêm de São
Paulo; Bruno e George, do Ceará;
João César, de Minas Gerais; e Davi,
de Pernambuco. A equipe está
reunida desde terça-feira passada,
hospedada no mesmo hotel e tendo
aulas de cerca de seis horas diárias.
Essa rotina, similar a de uma
concentração esportiva, durou até o
último sábado. De lá para cá, foi
dado aos estudantes um breve
período para relaxar antes que as
provas comecem.
? É claro que, em parte do
tempo livre, nós também estudamos,
porque é algo que gostamos de fazer.
Mas colocamos como meta
aproveitar esse tempo para conhecer
mais a cidade e ir ao cinema ver
"Homem-Aranha?, por exemplo ?
diverte-se João César. ? É preciso
relaxar.
Sobre a possibilidade de
melhorar a colocação do Brasil no
ranking geral, o estudante não é
taxativo, mas se mostra otimista.
? Não temos como assegurar
que vamos ficar, no ranking geral,
com mais pontos do que potências
como Estados Unidos ou Coreia do
Sul, mas temos ciência de que todos
da nossa equipe têm potencial de
conseguir ouro ? pontua o jovem.
Na edição do ano passado, o
Brasil teve seu melhor desempenho
desde que começou a participar da
IMO, em 1979: conquistou a 15ª
colocação, à frente de países como
Alemanha, França e Austrália.
Tradicionalmente, as nações que
dominam a cena dessa olimpíada e
se revezam nos primeiros lugares do
ranking são Estados Unidos, China,
Rússia e Coreia do Sul.
Para o diretor-geral do Impa,
Marcelo Viana, é real a possibilidade
de a equipe brasileira ficar entre as
dez primeiras nesta edição, porém o
mais importante é o legado da
competição no imaginário dos ainda
mais jovens.
? Se o Brasil for o 10º colocado
este ano, será uma grande vitória,
mas se isso vier a acontecer daqui a
cinco ou dez anos porque crianças
começaram a se interessar por
matemática ao se inspirar nesses
jovens, esta será uma vitória maior
ainda ? destaca ele.
A pequena quantidade de meninas
participando da IMO ? são apenas
60 entre um total de 623 ? é
classificada pelo diretor-geral do
Impa como "incômoda?.
? Isso é incômodo. Não é algo
que podemos resolver
imediatamente, mas é claro que nos
deixa inquietos ? define Viana. ?
Precisamos aumentar, entre todas as
pessoas, a consciência desse
problema.
INCENTIVO ÀS MENINAS
Para estimular a presença feminina
na competição, o Impa sugeriu a
criação de um prêmio que vai estrear
nesta edição da IMO e será
incorporada às próximas. O Troféu
Impa Meninas Olímpicas vai agraciar
as cinco estudantes que mais
contribuírem para o resultado de
suas equipes.
A propósito, o papel das
mulheres na ciência será tema de uma
mesa-redonda aberta ao público no
dia 22, às 17h, no Centro de
Convenções do Windsor Oceânico
Hotel. A mesa será mediada pelalinguista e professora da PUC-Rio
Branca Vianna, e entre as
debatedoras estão Tábata Amaral,
fundadora do Movimento Mapa da
Educação e vencedora da última
edição do Premio Faz Diferença do
GLOBO na categoria Educação;
Larissa Lima, medalhista da IMO em
2002 e integrante da ONG Primeira
Chance; e a pesquisadora Carolina
Araújo, do Impa.
A edição atual da IMO ocorre em
meio ao Biênio da Matemática Brasil
2017-2018, que tem apoio dos
ministérios da Ciência, Tecnologia,
Inovações e Comunicações e da
Educação, e patrocínio do BNDES.
Além da olimpíada, o país sediará o
Congresso Internacional de
Matemáticos 2018, e o Biênio inclui
uma programação extensa de
festivais para popularizar a disciplina
e mostrar que ela pode ser divertida.

Autor: CLARISSA PAINS

Fonte: O GLOBO
     
 
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